Deixou de ser
Vestiu uma roupa bonita
Trocou a boina velha por um chapéu preto
Deixou o cigarro pender em seus lábios
Entrou no carro, acelerou
Correu o mais rápido que pode
Deixou tudo pra trás
Conseguia ouvir os comentários maldosos e as risadas as suas costas… sorriu
Acelerou ainda mais
Ultrapassou o limite
80, 90 em amarelo
100, 110, 120 em vermelho
Deixou uma ultima lágrima escorrer
A gota correu de lado
Voou pra fora, pela janela aberta
E ele já não era o mesmo
Guardou todas as lembranças num baú no fundo do sótão
Deixou as magoas voarem pra fora da janela junto da lágrima
Virou da água pro vinho
Abraçou sem próprio coração
Levantou paredes intransponíveis em volta do mesmo
E as risadas pararam de ecoar
E os comentários, passou a ignorar
Jogou um copo de vodka na cara do futuro e mandou ele ir se danar
Desde então, vive feliz
Vivendo em seu quintal murado
Correndo acima dos limites de velocidade
E até mesmo seu rosto, agora emoldura um sorriso
Verdadeiro, e que nunca se desfaz